A Quadrante Componentes nasceu em um galpão pequeno de Joinville e hoje fornece placas eletrônicas para fabricantes de eletrodomésticos, equipamentos médicos e automação industrial. A diretora-geral, Helga Moser Tavares, recebeu o D'Santa para falar de crescimento, de importação de insumos e da falta de técnicos.

Como a empresa vende e para quem

D'Santa: A Quadrante produz sob encomenda ou tem linha própria? Helga Moser Tavares: Mais de 80% do que fabricamos é sob encomenda, a partir do projeto do cliente. Temos uma linha própria de módulos de controle, mas é uma parte pequena do faturamento, que queremos aumentar para algo perto de 25% em três anos.

D'Santa: Quais são os maiores custos? Helga: Semicondutores e outros componentes importados. Quando o câmbio sobe ou há atraso em portos, o custo e o prazo de entrega mudam de uma semana para outra. Por isso mantemos estoques maiores e contratos de fornecimento com mais de uma origem.

Se eu pudesse pedir uma coisa, seria técnico formado. A máquina a gente compra, o técnico a gente precisa formar. — Helga Moser Tavares, diretora-geral da Quadrante Componentes

Formação própria e próximos passos

D'Santa: Como a empresa tem lidado com a falta de mão de obra? Helga: Montamos uma turma interna de aprendizes, com aulas teóricas e prática na linha. Em dois anos, 35 alunos já foram contratados. Também estamos conversando com uma escola técnica da cidade para ajustar o currículo ao que a fábrica realmente usa.

  • Meta de faturamento: crescimento de 15% ao ano nos próximos três anos
  • Estoque de segurança: componentes críticos para até 90 dias de produção
  • Novo turno: operação contínua prevista para o início do próximo ano

D'Santa: E a inteligência artificial entra na fábrica? Helga: Entra na inspeção. Estamos testando câmeras que detectam defeitos de solda em segundos. Não substitui o inspetor, mas libera esse profissional para atividades de análise e melhoria do processo.