A Fiação Quatro Rios, de Blumenau, instalou câmeras de alta velocidade em 14 máquinas de sua fábrica para detectar, em tempo real, falhas na espessura e na regularidade do fio. O sistema usa um modelo de inteligência artificial treinado com 200 mil imagens de defeitos reais registrados pela própria empresa.
Antes do projeto, a inspeção era feita por amostragem, com funcionários que retiravam trechos do fio para análise em laboratório. Agora, qualquer irregularidade aciona um alerta, e a máquina pode ser ajustada ou parada em segundos. A empresa informa que, em seis meses, as devoluções de clientes caíram cerca de 33%.
O custo e o retorno
O investimento total foi de R$ 3,2 milhões, entre equipamentos, software e treinamento da equipe. O retorno, conforme os cálculos da diretoria, virá em até três anos, considerando a redução de desperdício de matéria-prima e a manutenção de contratos com clientes que exigem padrões de qualidade mais rígidos.
- Inspeção: 100% do fio monitorado, e não apenas amostras
- Resposta: alerta em menos de dois segundos após o defeito
- Equipe: 18 funcionários treinados para operar e ajustar o sistema
A tecnologia não eliminou empregos. Os inspetores passaram a analisar causas dos defeitos e a propor melhorias na linha. — Alexandre Brüggemann Neto, diretor industrial da Fiação Quatro Rios
A empresa diz que o próximo passo será usar os mesmos dados para antecipar a necessidade de manutenção das máquinas, o que deve reduzir paradas inesperadas. Também avalia oferecer o sistema como serviço a outras fiações de pequeno porte da região.
Especialistas em automação ressaltam que projetos desse tipo exigem boa qualidade de dados e envolvimento da equipe de chão de fábrica. Sem isso, o modelo pode gerar alarmes demais e perder a credibilidade entre os operadores.

