O frete pesa, proporcionalmente, o dobro na receita das pequenas indústrias do litoral norte catarinense em comparação com as de maior porte, segundo levantamento do Observatório Rota Litorânea, centro de estudos privado voltado a logística e infraestrutura. O estudo ouviu 120 fábricas da região entre julho e setembro.

Entre as empresas com até 50 funcionários, o transporte representou em média 9% da receita; nas com mais de 250 funcionários, 4,5%. A diferença é explicada, em grande parte, pela escala: as maiores negociam contratos anuais, consolidam cargas e têm poder de barganha com transportadoras.

Onde o custo aparece

  • Cargas fracionadas: o pequeno fabricante paga mais caro por quilo transportado
  • Retorno vazio: caminhões que voltam sem carga encarecem o frete de ida
  • Armazenagem no porto: tempo de espera para liberação eleva as tarifas

A pesquisa também listou as soluções que as empresas mais adotam: cargas compartilhadas entre vizinhas, entregas em dias fixos e contratos com cooperativas de transportadores. Uma em cada cinco ouvidas já fez ao menos um arranjo desse tipo.

O pequeno não tem volume, mas tem proximidade. Quando consegue juntar cargas com vizinhos, o frete cai de 10% a 15%. — Camila Dreher Schmitt, coordenadora do estudo no Observatório Rota Litorânea

O que os autores recomendam

O relatório sugere que associações empresariais organizem centrais de carga compartilhada e que as empresas padronizem embalagens para aproveitar melhor o espaço dos caminhões. Também recomenda que fabricantes negociem em bloco os prazos de liberação com os terminais.

O Observatório alerta que os números refletem uma amostra de empresas que responderam ao questionário e que o custo de frete varia de acordo com o setor e o tipo de produto, de modo que os resultados não devem ser extrapolados para toda a indústria do estado.